terça-feira, 22 de março de 2011

O blog Oficina da Educação comemora seu primeiro mês com 1500 acessos


                                                       

Hoje o nosso blog “Oficina da Educação” completa um mês e é com muita alegria que vejo nas estatísticas que ele já teve 1500 acessos!!!!! Obrigada a todos os leitores e seguidores do Blog.
Confesso que nesse primeiro mês tive muitas ideias, mas faltou-me tempo para compartilhá-las com os leitores do blog. Não é fácil dividir o tempo da escola, da família, cachorras, casa e lazer com mais essa atividade de blogueira.
Como o blog está sempre em construção, continuo pedindo ajuda aos leitores com críticas, sugestões e comentários. Esse "feedback" é importante para que eu possa aprimorá-lo.
Também reafirmo a idéia de divulgar os artigos  escritos pelos leitores. Enviem-me!
Hoje aproveitei para fazer uma avaliação desse mês. Iniciei o blog com a intenção de compartilhar ideias sobre educação, além disso também era intenção divulgar noticias e novidades na área e creio que deixei a desejar, pois o que mais fiz foi divulgar notícias e artigos de sites ligados à educação e não textos para aprofundar a reflexão. Consegui divulgar duas  entrevistas completas, que aliás considero de fundamental importância a leitura, a do  professor Julio Groppa Aquino e a do professor Dermeval Saviani, concluída hoje.
Nas dicas de leitura tenho buscado livros que tenham como objetivo principal a formação de um profissional politizado, consciente do papel da educação como mecanismo de mudança ou da manutenção do status quo. Por isso, por enquanto, os livros indicados tem esse viés histórico e político. Fugi, propositadamente, dos textos ditos "pedagógicos" como os que tratam das questões da avaliação, interdisciplinaridade, projetos etc. Não que eu considere esses textos menos importantes, são importantíssimos, mas são amplamente divulgados nos sites do MEC, das Secretarias da Educação, bem como nos cursos de formação e de Pedagogia. Por isso, fiz a opção por outra linha de leitura, talvez seja devido a minha formação (História).
E embora a ideia inicial do blog fosse tratar assuntos de interesse aos profissionais da educação, senti a necessidade de postar artigos para os alunos de Ensino Médio, sobretudo aos formandos. Para eles criei o marcador "vestibular"' onde serão postados artigos referentes às escolhas profissionais, dicas de estudo, orientações para vestibular, enfim, assuntos relacionados a essa fase de tantas incertezas nos nossos jovens. Espero ajudá-los.
Para o próximo mês, pretendo divulgar mais entrevistas, dicas de leituras e artigos interessantes para reflexão. Também quero compartilhar com vocês as novidades que vou vivenciar na área da educação: hoje estou entregando um projeto de coordenação pedagógica em minha escola (a maior do litoral norte de SP) e se o mesmo for aprovado, será um grande desafio, e, além disso, vou iniciar uma nova graduação, Pedagogia. Quantas novidades!
Enfim, muitas expectativas pela frente!
Muito obrigada a todos os que contribuíram com artigos para o blog (Olivia Borges, prof. José Ronaldo, Sérgio Dalaneze, prof.ª Maria do Socorro), a todos que comentaram artigos, a todos os seguidores e, principalmente a todos os leitores do blog.

Mirtes.



Dermeval Saviani em entrevista à Rosina Duarte - III (final)

Término da entrevista de Dermeval Saviani concedida à jornalista Rosina Duarte.
Postagens anteriores (ver marcadores: Entrevistas):
Parte I  postada em 15/03
Parte II posta da em 19/03

Nesse trecho da entrevista Dermeval fala sobre os impactos de uma politica neoliberal na educação e propõe alternativas para reverter o caos educacional brasileiro.


10. De que forma os rumos políticos do país – em especial o advento do neoliberalismo – influenciaram na educação?
R. Respondendo de forma resumida, eu diria que os rumos políticos do país, pautados na orientação que se convencionou chamar de neoliberalismo, vêm tendo um impacto negativo na educação ao subordiná-la aos mecanismos de mercado e ao predomínio do capital financeiro, forçando o país a ajustes contábeis visando ao equilíbrio das contas públicas que lhe permita o pagamento dos juros da dívida internacional, juros esses que absorvem um montante anual quase equivalente ao total dos gastos que temos com educação, o que vem provocando uma verdadeira sangria na capacidade produtiva  nacional.
 
11. Em uma entrevista que o senhor concedeu a uma revista gaúcha – Amanhã – em 1996, disse: “A educação brasileira chegou ao fundo do poço. Não é mais ma questão de qualidade social e integração social dos excluídos. É uma questão econômica”. Onde estamos agora e como podemos sair?
R. Em verdade, não disponho dessa entrevista. Talvez ela tenha sido concedida oralmente, no intervalo de uma de minhas conferências, não sabendo eu que destino tomou posteriormente. No entanto, a mesma revista AMANHÃ publicou no número 147, de outubro do ano passado, à pág. 88, uma matéria que me foi solicitada e que saiu com o título Um plano de emergência para a educação. Aí, para fazer face ao atraso em que nos encontramos, proponho a imediata duplicação do percentual do PIB investido em educação, passando dos atuais 4% para 8%, o que apenas nos colocaria no nível das nações que mais investem em educação, como é o caso dos Estados Unidos, Canadá, Noruega e Suécia que si situam na faixa entre 7,5 e 8,5%. Esses países, no entanto, não têm o déficit que temos. Portanto, a rigor, nós, para zerar o déficit, teríamos que investir muito mais. Entretanto, penso que, a partir desse esforço, teríamos chances de começar a tratar com seriedade os  problemas da educação, ganhando condições de resolvê-los efetivamente. Por essa proposta, cada instância governamental teria o dobro dos recursos de que hoje dispõe para a educação. Assim, os municípios que, por força do chamado Fundão, têm apenas 10% de seus recursos para investir em educação infantil, passariam a ter 20%. Com isso, já começa a se tornar viável a construção de uma ampla rede nacional de educação das crianças de 0 a 6 anos, mantida e gerida pelos municípios, com a orientação dos Conselhos Estaduais de Educação. Para o ensino fundamental, em lugar dos atuais 15% dos recursos de Estados e Municípios, passaríamos a ter o equivalente a 30%. Lançando mão do parágrafo único do artigo 11 da LDB, que permite aos municípios a opção de se integrar ao sistema estadual ou compor com ele um sistema único de educação básica, será possível construir, a partir dos Estados, um amplo sistema de ensino fundamental coordenado nacionalmente. No caso do ensino médio teríamos o equivalente a 20% dos recursos dos Estados, o que já permitiria que o objetivo de universalização do ensino médio, previsto pela Constituição Federal, deixasse o âmbito dos objetivos remotos para se tornar viável a médio prazo. Com efeito, cabe observar que, diferentemente do ensino fundamental que se compõe de 8 séries, o ensino médio tem apenas 3. Quanto à questão dos professores, considerando a determinação do “Fundão” de que 60% dos recursos se destinem ao corpo docente, a duplicação do percentual tornará exeqüível a meta de implementar a jornada de 40 horas em uma única escola, além de viabilizar a criação de uma espécie de PICD da Educação Básica, semelhante ao que se fez com o ensino superior, através da CAPES, viabilizando, assim, a qualificação dos professores através de bolsas de estudo para freqüentar cursos específicos nas universidades públicas de melhor qualidade. Finalmente, em relação ao ensino superior, a duplicação dos recursos permitirá à União, com o montante dos recursos atuais, consolidar as universidades federais além de manter sua rede de escolas técnicas. Os recursos adicionais, da mesma magnitude dos atuais, poderiam ser divididos em duas fatias: metade se destinaria à educação básica para que a União possa cumprir a função de apoio técnico e financeiro, suprindo as deficiências locais; a outra metade constituiria um fundo por meio do qual seriam financiados projetos que engajariam fortemente as universidades na realização das metas definidas no Plano Nacional de Educação. Essa proposta foi publicada no mencionado número da Revista AMANHÃ mas já constava do meu livro Da nova LDB ao novo Plano Nacional de Educação, Campinas, Editora Autores Associados, cuja primeira edição data de 1998. Como registrei na Revista AMANHÃ, a implantação dessa proposta não resolverá, por si só, todos os problemas da educação brasileira. Mas estou convencido de que é somente a partir dela que a solução se tornará possível. Fora disso, todas as proclamações em favor da educação não passarão de palavras ocas e promessas enganosas, acobertadoras da falta de vontade política para enfrentar decididamente o problema.
 
       Campinas, 24 de março de 2000. 
 
       Dermeval Saviani.
Fonte: http://www.fae.unicamp.br/dermeval/index2.html

segunda-feira, 21 de março de 2011

Novo piso de professor é menor que de profissionais com mesmo curso

Quem tem graduação em letras, biologia, química e física consegue remuneração inicial maior fora do que dentro da sala de aula

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Apesar do aumento anunciado na semana passada de 15,85%, o novo piso nacional para professores – de R$ 1.187 mensais por 40 horas semanais – é a menor remuneração inicial que profissionais formados em áreas relacionadas às disciplinas escolares podem ter. Se conseguirem trabalho fora da sala de aula, formados em letras, biologia, química e física tem perspectiva de salário inicial maior.
Nas outras áreas de formação de professores, história, geografia, matemática, sociologia, filosofia e pedagogia, o mercado de trabalho fora da escola é quase nulo para quem conclui apenas a graduação. Ainda assim, há uma opção mais rentável do que dar aulas: estudar. As bolsas de mestrado para pesquisadores com dedicação exclusiva, que vão de R$ 1.200 a R$ 1.478, para o doutorado sobem para até R$ 2,5 mil.
Biologia
No caso dos biólogos, o Conselho Federal de Biologia mantém uma tabela de “referência de honorários” que, apesar de não ser atualizada desde 2007, prevê cobrança mínima de R$ 40 por hora, ou R$ 1.600 pela mesma carga do piso nacional, para os profissionais com experiência de até três anos. Os mais experientes, receberiam R$ 150 por hora.
Química
Os químicos têm a remuneração regulamentada pela lei 4.950 de 1966, que prevê cinco salários mínimos vigentes no País, ou R$ 2.725, para quem fez uma graduação de menos de quatro anos. Quem fez bacharelado, tem direito a seis salários, R$ 3.270. A legislação vale para carga horária de seis horas por dia (30 horas de segunda a sexta).
Letras
No caso de Letras, a comparação fica prejudicada porque os profissionais que enveredam pela carreira de tradutor costumam receber por trabalho e não por mês. A lista de “valores praticados” pelo Sindicato Nacional dos Tradutores, no entanto, mostra que quem tiver trabalho a realizar, consegue uma remuneração melhor do que como professor de língua. A tradução mais barata por escrito custa R$ 26 por página. Um profissional teria que traduzir 45 páginas por mês para chegar ao piso do professor. Já uma tradução simultânea paga por um dia mais do que o piso: são R$ 1.200 nos Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e R$ 1.300 em São Paulo e Rio de Janeiro.
Física
O profissional formado em física também tem pouco mercado de trabalho fora da sala de aula para quem fez apenas faculdade. Segundo Ivan Oliveira, pesquisador do Centro Brasileiros de Pesquisas Físicas, o profissional que faz mestrado e doutorado tem remuneração inicial de R$ 10 mil como pesquisador, mas antes disso só há duas opções, dar aulas ou ser aprovado em concursos da Petrobras. “Neste segundo caso, o salário mais baixo é de R$ 8 mil”, afirma

Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/novo+piso+de+professor+e+menor+que+de+profissionais+com+mesmo+curso/n1238128599198.html

Bolsa de mestrado para docente exigirá permanência na rede pública

Educadores que conseguirem o benefício terão de dar aula na rede pública de ensino por cinco anos após receber diploma

iG São Paulo | 21/03/2011

O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira, 21, que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) passará a conceder bolsas de mestrado a professores da educação básica em troca do compromisso de permanecer como docente da rede pública de ensino por, no mínimo, cinco anos depois da diplomação.
Os cursos serão ligados às áreas de ensino da educação básica. O anúncio foi feito durante cerimônia de premiação de professores no Palácio do Planalto. “Muitas vezes o mestrado não é na cidade onde o professor mora e isso exige custeio, gastos com transporte, alimentação, aquisição de material pedagógico”, explicou Haddad ao falar sobre a importância da bolsa para a formação dos professores da educação básica.
O ministro afirmou que a medida objetiva também estimular o aumento da oferta de mestrado para os educadores da rede pública ao criar a demanda pelos cursos.
As bolsas comuns de mestrado, que no caso da Capes pagam R$ 1.200 já são opção de muitos professores por significarem remuneração maior do que o piso de 40 horas semanais que foi reajustado este ano para R$ 1.187. O programa, no entanto, não exigia como contrapartida que o mestre voltasse a dar aula no ensino público.
Os detalhes do programa serão divulgados nesta terça com publicação de portaria que normatiza a concessão no Diário Oficial da União.
*com Agência Brasil

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/bolsa+de+mestrado+para+docente+exigira+permanencia+na+rede+publica/n1238183113230.html

Frequência eletrônica chega às escolas públicas

Dados servem para calcular merenda e controlar Bolsa Família. Em Praia Grande (SP), crianças usam digital para confirmar presença

Marina Morena Costa, iG São Paulo | 19/03/2011

“Se os funcionários da Prefeitura batem o ponto registrando a digital em um aparelho, por que os estudantes não podem marcar a presença em sala de aula do mesmo jeito?” A partir desta pergunta, o coordenador de Inclusão Digital da Secretaria Municipal de Praia Grande (SP), Marcos Pastorello, iniciou um projeto que está revolucionando as escolas da rede municipal.
Na escola Roberto Mario Santini, para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, as crianças têm 30 minutos para registrar a presença em um aparelho que fica na entrada da sala de aula. Caso não coloquem a digital, uma mensagem é enviada ao celular de seus pais ou responsáveis, informando que o estudante faltou à escola. Ao final do dia e da semana, os pais recebem um relatório completo, com os horários de entrada e saída dos filhos.

Leia reportagem na íntegra, clique aqui.

sábado, 19 de março de 2011

Um Olhar Sobre " A Produtividade da Escola Improdutiva"


Um Olhar Sobre "A  Produtividade da Escola Improdutiva"
Claudio da Costa
Professor da  Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL - Curso de Formação de Professores
Disciplina: Educação e Politicas Públicas.


A formação docente vem sendo um tema amplamente discutido nas instâncias acadêmicas e governamentais, colocando em foco a compreensão cada vez maior da importância do educador para a formação do sujeito. E a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) 9394/96, procura situar o docente como eixo principal da qualidade da educação, apresenta a formação docente e traz em seu interior questões essenciais para sua prática.
            Nesse contexto, é imperativo uma análise mais profunda desse teor de formação docente e a relação com o mundo do trabalho, em constantes metaformoses. A utilização dos discursos de motivação possivelmente vem-se constituindo estratégias das políticas públicas neoliberais, e desse modo se entende esses moldes de estratificação da realidade para uma inconstante subjetividade da atividade docente. Considerando tais enfoques presentes na atualidade, imaginamos que um trabalho investigativo possa ser proveitoso para uma compreensão das relações de trabalho no âmbito escolar, com toda a fragmentação e desqualificação dessa formação, para o surgimento de um novo trabalhador adestrado para o processo discursivo pernicioso dos meios de produção que necessitam de um trabalhador cada vez mais polivalente e flexível para atender as ordens imprimidas de uma cultura já posta pelos meios de produção capitalista. Com AMARAL (2007, p.20) entendemos por “discurso um todo complexo e como tal não se restringe ao texto que o representa empiricamente”.
           Percebe-se assim que se configura um cenário todo reestruturado pelo mercado de trabalho, o qual precisa dessa forma de “mão-de-obra do conhecimento” e não mais da força bruta como foi a um dado momento na sociedade. Fazendo a utilização dos discursos das palestras de formação como viés para a prática compulsória do neoliberalismo.
           Assim, é gritante a necessidade de ir além dessas práxis diárias que manipulam e direcionam o trabalho docente em seus discursos mórbidos destinados à efetivação de um olhar pedagogicamente constituído pelo monopólio capitalista, de um novo e mais competente trabalhador que surge na perspectiva de uma maior produção e rentabilidade. Com esse objetivo é que se faz necessário utilizar o aporte teórico da Análise de Discurso de linha francesa porque “visa à compreensão de como um objeto simbólico produz sentidos, como ele está investido de significância para e por sujeitos” (ORLANDI, 2003, p.26).
           Dessa forma, que relação o discurso da motivação na formação docente tem com as políticas neoliberais que objetivam sustentar a produtividade da escola improdutiva? 
  • Quais as estratégias discursivas que constroem os efeitos de sentido desse discurso?
  • Existe conexão do discurso da motivação com o discurso do neoliberalismo?
Acredita-se que o sistema neoliberal, além de se preocupar com a produtividade em grande escala, atinge o sistema educacional com o discurso da motivação na formação do trabalho docente – as de perspectiva de motivação – que são postuladas como força manipuladora para concretizar os anseios governamentais. Assim, a formação docente tende fortemente a ficar subordinada a um discurso que direciona o trabalho do professor a ser cooperativo, passivo e flexível. Pensando sobre essa questão, Mészáros (1981) indaga se a escola atende ou não a essas necessidades de produção do capital.
             Em resposta ao questionamento de Mészáros, apontamos o fato de que, para garantir o atendimento dos objetivos do capital pela escola, com grande habilidade de camuflagem, o sistema neoliberal corrói as estruturas sociais para se fortalecer mediante as ações do homem em seu processo para o trabalho educacional, dando ênfase a uma forma discriminatória e perversa de educar para a “cidadania”. Orlandi (2003, p.11), nos faz entender isso quando diz que “toda formação social, no entanto, tem formas de controle de interpretação, que são historicamente determinadas”.
             “Na sociedade capitalista a ideologia encontra formas para cumprir a sua função específica: dissimular evidências de parcerias entre as classes para a manutenção da ordem vigente, a de dominância do capital” (AMARAL, 2007, p.25). Com Amaral, compreendemos que é possível dizer que o discurso do capital se configura no cenário educacional, isto é, as forças econômicas atuam como o fator maior de (re) produção do mesmo sistema.
             É imperativa a compreensão do mundo do trabalho e a educação dentro do contexto do conflito de classes para um entendimento dos novos moldes de estruturação dos sistemas educativos e do mundo empresarial formadores de “mão–de–obra do conhecimento”, para assim incidir na gênese o seu real sentido de ser, o qual efetiva ainda hoje a expressão de Cavalcante (2007) apud Lukács  “o homem é um ser que responde”, nisto perceber-se que o homem é um ser que reage as diversas  circunstâncias que lhe são impostas no seu cotidiano.
             Para se fazer compreender o mundo do trabalho é preciso fazer uma retomada histórica de sua essência para que nessa perspectiva se configure todo o trajeto ao longo do percurso de compreensão assimilada e desvelada pela classe trabalhadora. E a burguesia que, em cada época, o próprio capital mascara e se faz presente frente as diretrizes educacionais impostas pelo BID, FMI, BIRD, CEPAL,  cria dessa forma um arcabouço de descompasso rumo a sua polarização e da própria condição de subsistência das relações sociais.
             O capital cria um clima de instabilidade, de insegurança, e a saída para uma retomada das atividades como força produtiva é o discurso da motivação do trabalho docente, que enfoca, numa perspectiva pragmática, um poder individual de que “você pode”; “você é capaz”; “acredite em você”; “descubra o potencial dentro de você”; “você é livre pra fazer escolhas”. Percebe-se que a hipocrisia nessa perspectiva é para abstrair da realidade o indivíduo, o conjunto não funciona, apenas o individualismo sobrepõe-se. Cria-se um reino de liberdade sendo enfatizada por Marx que diz “no capitalismo quem é livre é o capital, não o homem”.
             Num discurso de alienação, a falácia de motivação promete fazer milagres, objetiva preparar o trabalhador-docente para cada vez mais ser competitivo, auto-suficiente, flexível, democrático, hábil, porém, na dinâmica do capital. Ele é que define as diretrizes a serem praticadas dentro ou fora da escola ou em qualquer outra empresa. Segundo Orlandi (2003, p.17), “O processo de resistência é justamente isso: estabelecer um outro lugar de discurso onde se possa (re) significar o que ficou “fora” do discurso. 
             Os textos de motivação parecem impressionar pela suposta facilidade de compreensão, auto poder de suficiência em si mesmo. Nomes como Hamilton Wernek, Augusto Cury, Paulo Coelho, Skettini e outros são um verdadeiro engodo em tela visual configurada para atender a ordem neoliberal capitalista, para atender as exigências mais individualizadas do mercado, no melhor tempo e com melhor “qualidade”, é preciso que a produção se sustente num processo produtivo flexível. Antunes (1998, p. 26), entende essa qualidade como o discurso da corrente de motivação na perspectiva de que a educação precisa ter, uma vez que o trabalho docente é a ponte para se chegar a outros tantos da sociedade, que acreditem em seu potencial individual e cada vez mais se enganem com o paralelo fictício criado pela áurea da auto – suficiência.

              Nessa perspectiva, é possível que o discurso da motivação seja um instrumento pedagógico utilizado que orienta a formação docente para que coopere, que se ajude e seja tão domesticado quanto a necessidade do capital o configure, construindo assim um trabalhador que possa aderir ao discurso de motivação e aceite que a saída individual é a única forma de sobreviver num mundo do trabalho em constantes mudanças. Os docentes passam a vislumbrar na literatura de motivação uma alternativa para diminuir as suas insatisfações e angústias. Dessa maneira, o capital infere nesse discurso como uma estratégia de controle e de qualificação da força de trabalho.
              Entende-se que o processo discursivo em que se constitui a prática dessas palestras gera efeitos dos quais o docente tende a fazer mudanças individuais, imediatistas, capazes de criar ilusões de felicidades, provocando uma eficácia entre pensamento e ação.
              As mágicas oferecidas pelo discurso da motivação parecem ensinar receitas baseadas em experiências pessoais, procedimentos que devem ser seguidos passo a passo, tendo como resultado o sucesso e soluções para possíveis problemas no trabalho como também na vida pessoal, engodo utilizado pelas políticas neoliberais para cada vez mais massificar a ação docente frente às diretrizes trabalhalista educacionais.
              Desse modo é necessário uma pesquisa mais aprofundada a respeito desse discurso da motivação na formação docente e a sua relação com a “produtividade da escola improdutiva”, é pertinente tanto para a formação docente, como também para servir de material teórico – metodológico para os cursos de formação desses profissionais.


Educação e a Crise do Capitalismo Real

Livro - Educação e a Crise do Capitalismo Real


Educação e a Crise do Capitalismo Real
Frigotto, Gaudêncio. São Paulo: Cortez,
1995.


"Este trabalho representa um esforço de remar contra a corrente do neoliberalismo, sinalizando as novas demandas da educação explicitadas por diferentes documentos dos novos senhores do mundo — FMI, BID, BIRD. O livro centra-se na apreensão crítica das teses do fim da sociedade e na perda da centralidade do trabalho, dentre estas, os processos e as relações educativas."


Boa Leitura!!!
Mirtes